•Novembro 30, 2007 • Deixe um comentário

- Não fala uma coisa dessas! Pirou é? Quer ser banido antes de ir pro Vilarejo? Nunca mais repita isso, seu Serafim desbocado…Traveco…Tá pensando que tá falando de quem? É o Big Chefe cara, não é qualquer um não! Peça perdão! – e me obrigou a ajoelhar no chão, de cabeça baixa.

- Perdão… – que besteira que eu falei! Fiquei morto de arrependimento.

- Assim está melhor…Saiba que nunca pode desafiar o Big Chefe desse jeito. Ele é uma autoridade…

- Mas se Ele fica mudando toda hora, como saber a Sua verdadeira forma?

- Ah…Boa pergunta Serafim, boa pergunta!

Reparei que Gabriel não me chamava de Victor Hugo, mas só de Serafim, o que já estava me irritando. Ele explicou que Big Chefe é na verdade uma grande bola de luz dourada, capaz de cegar até o Anjo mais antigo das Terras. Percebeu que muitos até se desintegravam com toda essa luminosidade “As Terras perderam muitos anjos legais, sabe?”, assim Big Chefe foi obrigado a assumir uma forma mais comum, tipo “imagem e semelhança dos anjos”, e que prefere os tipos femininos, pois são mais sensíveis e agradáveis. Só se transforma em homem quando está deprimido e decide mudar para animar um pouco. “Sabe né, virar um tripé! Hahahahhahaha!”

 Gabriel me disse que Big Chefe era conversador e piadista, adorava cães e decidiu que eles seriam os melhores amigos do homem, “Ele tem quase quatrocentos desses animais”, mas sabia ser bravo e sério quando era hora “Precisa vê – lo irritado, é pior que mulher com TPM!”. Depois de uma semana melhorei completamente e era hora de me mudar para o Vilarejo. Juntei umas poucas coisas: umas roupas mal acabadas que Amélia havia feito, meu par de asas para jogar Sky Volley Ball, o espelhinho de Amélia, os livros “Crie seu anjo…”, que ganhei de Gabriel, e “Como Conviver com a Síndrome do Corpo Trocado e Ter uma Vida Normal”, que ganhei de uma Virtude chamada Rafael, especialista no assunto, amicíssimo de Gabriel e, por fim, um modelador de cachos que ganhei de Melpômene, uma Querubim bonitinha e loura com cara de bebê que soube da minha história e acabou se emocionando com meu trágico inicio de vida.

Depois soube que ela virou Musa nas Terras dos Homens e vivia atrás de Shakespeare, que acabou escrevendo uma história bem bonita e trágica (agora não lembro qual) sobre ela. Mas Melpômene não vem ao caso agora. O caso é que me mudei para o Vilarejo e ele não era lá essas coisas de confortável, como a casa vermelha de Amélia ou a casa azul de Gabriel.

 Ali, todas as casinhas eram pequenas, de madeira, com um quintalzinho na frente. Duas peças. Vinham com um fogão para preparar poções (anjos não comem e o fogão só é útil para isso), uma máquina de gelo (também para poções, em especial a da Neve, que levava o inverno as Terras dos Homens), uma pia com água mineral e meia dúzia de mobílias, entre elas, uma caminha de bambu que eu achei estilosa pra caramba. Lençóis brancos, sempre. As paredes idem.

•Novembro 21, 2007 • Deixe um comentário

- Você é anjo faz tempo?

 - Ô… Desde antes do traidor do Lúcifer ser desfigurado e banido. Ele era o preferido, sabe? Aquele mané.O único anjo que nasceu com o cabelo totalmente liso e lambido, a la Elfo. O próprio Big Chefe fez ele, e eu também e todos os anjos mais antigos. Depois Ele criou as Terras dos Homens, a Eva e tal e ficou muito ocupado, permitindo que criássemos nossos próprios anjos, para povoar isso aqui. Lúcifer era o anjo mais bonito. Louro, alto de cabelo comprido e liso. Big Chefe nos proibiu de fazermos um anjo mais bonito que o Lúcifer. Até que o metido foi desafiar o Big Chefe… Se danou, e não foi por falta de aviso.

- Então o que o Big Chefe fez?

- Desfigurou a carinha linda do Lúcifer deixando – o horroroso. Deu – lhe chifres, mas ficou com dó de destruir aquele cabelo lindo e louro. Raspou a cabeça do pobre e deu aquele cabelo maravilhoso para Eva, das Terras dos Homens, o que fez dela uma mulher irresistível. Mandou o Lúcifer para os confins do Inferno, aquele filho da mãe!

- E o Adão, onde fica nisso?Ele não ganhou cabelo? – minha pergunta não tinha nada a ver com o assunto, mas tudo bem, porque Gabriel respondeu assim mesmo.

- Ah, ele veio muito depois. A Eva já estava ficando injuriada das maçãs, daquela serpente chata, dos animaizinhos pulando nela. Pediu um marido, alguém com quem ela pudesse conversar. Big chefe mandou o Adão e lhe avisou que ele seria um tanto primitivo, mas que pelo menos caçaria para ela.

- Mas o Adão não veio antes?

- Besteira! Esse foi o trato que o Big Chefe e a Eva fizeram.Como Adão era meio primitivo e machista, se achava superior e ia morrer de depressão se soubesse que a mulher Eva veio antes. Eva o fez acreditar que ele veio antes e que ela veio da costela dele, tipo carne de segunda…Coisas da vida.

- Mas Big Chefe é homem…Ele também é machista?

- Você que pensa que ele é homem…

- Ele é mulher? – me assustei com essa.

- Não! Ele não tem sexo!Pelo menos não sexo definido…Fica mudando o tempo todo.Outro dia Big Chefe resolveu virar uma bela oriental…Ah que graça!Se não fosse o Big Chefe juro que…Aí eu fiquei confuso…Soltei essa:

- Big Chefe é um traveco?

•Novembro 19, 2007 • Deixe um comentário

Não lembro direito o que aconteceu, Gabriel apontou o dedo para Amélia, vi umas faísquinhas prateadas que a derrubaram e muita fumaça. Fiquei tonto e acho que desmaiei, mais de medo do que da fumaceira.

O tal arcanjo Gabriel me carregou para a casa dele no Condomínio dos Arcanjos (as casas também vão melhorando à medida que subimos de hierarquia) e eu fiquei mais de uma semana inconsciente. Acordei numa camona de lençóis tão brancos quanto os da casa de Amélia, num quarto de paredes azul – bebê morrendo de dor em tudo que é lugar.

- Au au que dor… – foi a primeira coisa que falei, enquanto me contorcia na cama.

- Ah, finalmente meu ressucitadinho acordou. Tudo bem, garoto? – o Arcanjo morenão estava sentado numa escrivaninha, também azul, do quarto, escrevendo.

Quer dizer, uma espécie de pena mágica fazia todo o serviço e ele só ditava para ela o que devia ser escrito.

- Cadê a Amélia? – não sei porque me lembrei dela! Que coisa mais idiota da minha parte!

- No Manicômio, nos Prados dos Loucos. Onde mais você acha que ela deveria estar? – ele sorriu – Ela não estava apta para ter um Serafim para criar, não sei como todos os seus testes deram que ela estava pronta…Algum erro daqueles malditos funcionários públicos angelicais, uns incompetentes!

- Mas ela estava pronta, sabe? Só que eu… – apontei o piercing.

- Você nasceu com a Síndrome, não é?Amélia não estava pronta para ter uma cria doente…Quantos anos você acha que tem?        

Essa pergunta de novo? Mas que saco…

- Vinte e três. – respondi sem emoção.

- Mas você tem o Ponto Brilhante! Isso prova que você tem cura.

- Cura?

- Alguém nas Terras dos Homens, lá embaixo tem essa Síndrome, você só precisa achar a pessoa certa, aquela que será seu Par, sua “alma – gêmea” nas Terras dos Homens, precisa se juntar a ela na primeira Lua Crescente do mês do seu aniversario e zás! Você está curado para sempre! A outra pessoa também se cura e matamos dois coelhos com uma paulada só.

- Porque Lua Crescente?

- Ah sei lá. Coisas do Big Chefe. Se Ele falou, bicho, tá falado!

- Quando vou para o Vilarejo? Droga, e ainda estou sem um tutor…Que tipo de anjo eu vou ser sem um tutor?

- Calma cara. Eu vou ser o seu tutor. Relaxa! Quando estiver melhorzinho te levo pro Vilarejo. Você tem a honra de ser minha qüinquagésima quinta cria! Vamos ser companheiros nos próximos anos…

•Novembro 17, 2007 • Deixe um comentário

(…)

- Vou te levar para as Montanhas mais altas destas terras! E lá te destruir, aberração! Não vou ficar com um anjo torto dentro de casa! – ela falou baixinho para ninguém ouvir.           

Os anjos que estavam nos campos olharam a cena com estranheza e, eu percebendo que ela estava falando sério, que meu destino seria as Montanhas e não o pacato Vilarejo dos Serafins comecei a gritar:  

    - Socorro! Ela vai me destruir! Socorro! Alguém me ajude!               

   Um arcanjo que estava de passagem pela Vila foi em direção a Amélia. Era alto e muito moreno, de olhos verdes e cabelos castanhos.Parecia saber o que estava acontecendo, pois segurou firme o braço de Amélia e disse:  

    - Solte o Serafim! Deixe – o em paz!  

    - Saia Gabriel, que você não tem nada com isso! – ela retrucou.  

     - Você está cada dia mais louca, Amélia! Sei que pretende machucar o pobre coitado,ou    esqueceu que eu, como bom Anjo dos Ventos, posso ler o pensamento dos outros?  

   – Não vou ficar com essa aberração dentro da minha casa!Vou levá – lo as Montanhas e lá o destruirei!  

   – Você não vai levar ninguém, sua maluca! Deixe o moleque! Já sei. Vamos fazer um acordo, pode ser?  

   – Que tipo de acordo?  

   – Eu mesmo levo o garoto as Montanhas, o que acha? Assim você volta para casa tranqüila e se alguém, como o Big Chefe, ficar sabendo de alguma coisa eu assumo total responsabilidade. Topas?  

   Ah, claro! Fodido, fodido e meio! Pelo menos foi o que pensei aquela altura do campeonato. Não ia ser morto pela maluca da Amélia, mas por um Arcanjo…  

   - O que te faz pensar que eu vou confiar em você, “Gabriel puxa saco do Big Chefe”, é esse seu apelido não?  

   – Não me faça perder a paciência, Dona Amélia! Dá logo o moleque aqui!

  – NUNCA! Ele é meu!

(…)        

•Novembro 13, 2007 • 1 Comentário

(…)

 Foi quando ela reparou no meu piercing e eu percebi que aquele piercing não fora planejado por ela.  

- Um Ponto Brilhante…Algo saiu errado… – sussurrou – Diga algo, querido Victor!  

- Oi! E então? Você que me criou? Muito prazer!  

Ela me olhou com uma cara de medo, aflição, raiva, tudo junto e perguntou:  

- Quantos anos você tem?  

 - Bom, nenhum né, eu acabei de nascer, de romper a bolha, oras, você sabe!  

- Eu digo aí na sua mente!  

- Ah…Uns 23 provavelmente.  

- Não era para ser assim! Que burrice será que eu fiz?  

- Que foi? – perguntei, um tanto assustado – Pensei que os anjos ficassem felizes quando criavam outros a sua imagem e semelhança, exatamente como o Big Chefe ensinou.  

Ela foi correndo buscar algo num quartinho e voltou chorando de ódio com um espelhinho na mão:  

- Essa é a “imagem e semelhança” de um Serafim de mais ou menos 23 anos? – disse, raivosa enquanto esfregava o espelhinho na minha cara.       

Olhei para o meu rosto. Um menino, apenas um menino de grandes olhos azuis arregalados de medo.  

-Não senhora. – abaixei a cabeça ao dizer isso. 

Ela, já tomada por uma loucura voraz, agarrou meus cabelos com força e saiu me arrastando pela casa, entramos no tal quartinho, de paredes vermelho – sangue e uma cama com lençóis branquíssimos.

Me botou na frente de um espelho grande com uma moldura também muito branca, e eu morto de medo e de dor perguntei num sussurro:              - Que aconteceu?           

Ela puxou meus cabelos com mais força e gritou no meu ouvido para eu não ter a menor duvida:  

- Você é um aborto! Tem a Síndrome do Corpo Trocado!              

Comecei a chorar e ela saiu me arrastando porta afora pelos cabelos. Fomos andando pelas Terras dos Anjos – estávamos na Vila dos Querubins, para ser mais preciso – e eu perguntei novamente, desta vez aos berros:   

- Para onde esta me levando? Solte – me!

O gauche

•Novembro 11, 2007 • Deixe um comentário

Meu nascimento foi algo bastante peculiar. Quando a recém Querubim Amélia, completou 401 anos (idade certa para criar um anjo), foi logo ver se estava com a habilitação em magia nos conformes e se não tinha nenhuma multa a pagar com serviços comunitários. Estava tudo OK e ela foi buscar os ingredientes para minha criação: água mineral, detergente biodegradável feito com cinzas de cordeiro – para a bolha de sabão onde os anjos são encubados durante cinco meses, como se fosse uma placenta – açúcar, para dar resistência a bolha, e, obviamente o famoso livro feito pelo próprio – salve, salve! – Criador – Mor, o Big Chefe “Crie seu anjo como você sempre desejou em 14 lições”. Qualquer Serafim recém saído da bolha tem um desses em casa e sabe o livro de cor e salteado. Amélia, que foi a única ruiva branquela de olhos pretos que eu já vi (o que deu uma mistura bonita, porém estranha), estava tendo dificuldades em manter a bolha sem estourar, o que é vital num nascimento perfeito de um Serafim, e demorou quase um mês para achar a consistência de bolha ideal. Ela já estava ficando atordoada por não conseguir, pois o maior desejo de sua vida era ser mãe de um menino. Amélia tinha muita inveja dos animais que carregavam seus filhos em seu próprio ventre. Desejava ardentemente ter um garotinho e queria que ele fosse tão branco quanto ela, de olhos de um azul profundo como o céu e cabelos muito pretos, queria que fosse escorpiano, para ser forte, manipulador e teimoso, com ascendente em Câncer, para lhe garantir uma doçura maternal e um grande amor pela família, além de lhe dar um ar meio choroso, típico dos cancerianos.Assim, eu meio que vivo sempre com cara de choro, meio com cara de como se diz…Chapado. Seu garotinho devia ser magrinho, ossudo e não muito alto, e ter mais ou menos uns 12,13 anos, bem naquela fase em que a voz ainda não esta bem definida. E, é claro ser muito inteligente e adorar Sky Volley Ball.Foi exatamente assim que eu saí quando rompi minha bolha. Porém, alguma coisa havia saído errado.Eu não conseguia pensar como um garoto de 12 anos, mas como um cara de 23 e percebi que eu tinha um piercing bem no nariz brilhando como ele só. Amélia, que já não estava batendo muito bem da cabeça, veio toda contente me ver e me deu um nome bem interessante:

- Meu querido Victor Hugo! Finalmente você nasceu! Estou tão contente…

(…continua)

Prólogo

•Novembro 9, 2007 • 1 Comentário

      Para inicio de conversa, isso não é um diário! Assim, posso dizer que resumi bem resumidamente quase quatro mil anos da minha fatídica existência, já que, como na vida qualquer um os fatos irrelevantes estão muito mais presentes do que os fatos realmente importantes.Vamos dizer que coloquei vários fatos importantes e que tento seguir uma seqüência entre eles, tirando os irrelevantes.Assim, espero que você caro leitor, entenda que o quero mostrar é mais do que uma reles vida de anjo, que não é nem um pouco melhor do que a sua, serzinho mortal! Quero mostrar o lado que as pessoas não conhecem a nosso respeito. Nosso lado podre, deprimido, piegas e chato. Porque sim senhor! Podemos ser absolutamente chatos. Eu sou particularmente chato e medíocre. Aposto que você também é.

      As pessoas têm mania de achar que anjo tem asinha, cabelinho cacheado, loirinho, olhinho azul, branquinhos, etc, etc. Asas a gente compra e só usamos em caso de emergência. Anjo loiro do cabelo cacheado e olho azul existe sim, mas é tão mais comum ver anjo negro, oriental, de cabelo azul e olho vermelho do que anjos loirinhos, normais. Somos do jeito que a pessoa que nos cria acha que temos que ser.

     Somos subdivididos em hierarquias: Serafins, Querubins, Tronos, Dominações, Potencias, Virtudes, Principados, Arcanjos e por fim, Anjos propriamente ditos. Vamos subindo nessas hierarquias, que são diferenciadas pelas cores das casas de cada anjo, como quando um favelado ganha na loteria e vira um emergente. Eu sou um Arcanjo, e me chamo Victor Hugo. Para quem não lembra do nome basta lembrar do poeta ou da (hunft!) marca de bolsas famosa (detesto dizer essa coisa das bolsas, mas não sei em que tipos de mãos este livro vai parar). Ah! Também existe uma sub raça de anjos, os Elfos. Sim, sim, Elfos de verdade e não aqueles ladrõezinhos de crianças que vivem no Velho Continente. Eles são considerados sub raça porque são mortais e baixinhos. O Criador – Mor os criou antes, como teste, viu que eram mortais e procriavam como seres humanos, e achou melhor dar uma melhorada e criar anjos mais superiores, porém dando a mesma garantia de direitos e assistência a todos (mas nem metade disso é cumprida, Elfos são considerados sub raça e deveriam ser exterminados, segundo anjos mais radicais).

   Nasci no dia 15 de novembro, Escorpião, regido por Plutão, o planeta mais escuro e escondido do sistema solar, com ascendente em Câncer, a Lua. Minha criadora chamava – se Amélia e depois ficou conhecida como Amélia, a Louca. Mas isso eu explicarei depois. Tenho atualmente quase quatro mil anos, nasci no segundo Império Babilônico, mas a aparência de um menino de mais ou menos 12 anos. Sou muito, muito, muito branco (quase albino) de olhos muito azuis e cabelos pretos, cacheados, por ser claro tenho extrema sensibilidade ao Sol o que me obrigou a criar uma espécie de filtro protetor especial para eu poder sair de dia. Tenho 1, 53 m (não sou muito alto) e sou Técnico de um time de Sky Volley Ball chamado Los Branquelos, para me “homenagear” (me sacanear, na verdade!), o time joga sempre de branco e azul (minhas cores preferidas) e é misto (tem anjos e “anjas” – se bem que alguns de nós temos a habilidade de trocar de sexo sempre que dá na telha de modo que não dá para saber se todos os anjos são homens ou mulheres, isso sem contar os “desequipados”, é claro). E, no mais, é isso. Vamos logo contar essa história.

Hello world!

•Novembro 9, 2007 • 1 Comentário

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