(…)
- Vou te levar para as Montanhas mais altas destas terras! E lá te destruir, aberração! Não vou ficar com um anjo torto dentro de casa! – ela falou baixinho para ninguém ouvir.
Os anjos que estavam nos campos olharam a cena com estranheza e, eu percebendo que ela estava falando sério, que meu destino seria as Montanhas e não o pacato Vilarejo dos Serafins comecei a gritar:
- Socorro! Ela vai me destruir! Socorro! Alguém me ajude!
Um arcanjo que estava de passagem pela Vila foi em direção a Amélia. Era alto e muito moreno, de olhos verdes e cabelos castanhos.Parecia saber o que estava acontecendo, pois segurou firme o braço de Amélia e disse:
- Solte o Serafim! Deixe – o em paz!
- Saia Gabriel, que você não tem nada com isso! – ela retrucou.
- Você está cada dia mais louca, Amélia! Sei que pretende machucar o pobre coitado,ou esqueceu que eu, como bom Anjo dos Ventos, posso ler o pensamento dos outros?
– Não vou ficar com essa aberração dentro da minha casa!Vou levá – lo as Montanhas e lá o destruirei!
– Você não vai levar ninguém, sua maluca! Deixe o moleque! Já sei. Vamos fazer um acordo, pode ser?
– Que tipo de acordo?
– Eu mesmo levo o garoto as Montanhas, o que acha? Assim você volta para casa tranqüila e se alguém, como o Big Chefe, ficar sabendo de alguma coisa eu assumo total responsabilidade. Topas?
Ah, claro! Fodido, fodido e meio! Pelo menos foi o que pensei aquela altura do campeonato. Não ia ser morto pela maluca da Amélia, mas por um Arcanjo…
- O que te faz pensar que eu vou confiar em você, “Gabriel puxa saco do Big Chefe”, é esse seu apelido não?
– Não me faça perder a paciência, Dona Amélia! Dá logo o moleque aqui!
– NUNCA! Ele é meu!
(…)

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